quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Mostra Coletiva Olheiro da Arte



vista meus cabelos, 2009
10 ampliações fotográficas 30x40cm

Entrevista na rádio UFMG sobre a Mostra Coletiva Olheiro da Arte, 01 de Março de 2010:

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Artemisia Capillāris









   










Abjeção dos corpos materializados pelas vias tortuosas da perda corporal, caída na construção do sujeito e da linguagem. Abjeção pelo resto, detrito asqueroso, resíduo morto, desperdício na ausência de vida pelo excesso de matéria humana, memória embriagada de sentidos, tato, cheiro, sabor. Abjeção pelo grotesco no corpo monstruosamente constituído pelo seu dentro, o interior repugnante de um sujeito racionalmente asséptico. Abjeção que não deixa nunca de ser erótica, corpo sedutoramente ornamentado pelos seus próprios detritos, estetização de uma vestimenta que interfere no comportamental de quem a porta, muito além do simples vestir-se controlado e paramentado pela moda, um vestir-se que carrega consigo a solenidade inerente ao ritual. Abjeção manifestada pelo rito erótico da sujeira, rito que promove a limpeza sacralizante da sujeira, construção simbólica materializada por uma linguagem artística. Abjeção estetizada a partir do erotismo, provação da vida até a morte pela compreensão da necessidade de se jogar com a matéria, depositária tanto de vida como de morte, forma única de lidar com a eminência de morte que implica no simples fato de se estar vivo. O destino certo do cadáver se assemelha ao princípio determinante do nascimento, a mistura com a matéria corporal abjeta, vísceras, sangue excrementos, tecidos mortos, carne em transição. A perda corporal fundamental do ser, consciência corporal recalcada na falta da materialidade interna do corpo, sujeito fisicamente constituído pelo recalque da sujeira. Posicionar o trabalho perante o sujeito culturalmente constituído, o meu e o teu... Organizar a perda corporal segundo uma formalidade estética, pensada além do visual, através do corpo, em todos os seus sentidos físicos e inconscientes. Indagar ao outro sobre a possibilidade do deslocamento da consciência corporal, desestabilizar no contato erótico com o abjeto, o desejo que suscita a abjeção é o princípio do desejo erótico que proponho. Toque de uma fazenda estranhamente familiar, trama de uma matéria mortalmente viva.

   
Artemisia Capillāris, 2010 - Vídeo digital Full HD - 8'28'' min.

Daniella de Moura - concepção, edição e fotografia
Christiane Birchal - fotografia
Thiago Corrêa - trilha sonora original

domingo, 1 de novembro de 2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

ritual da vertigem



“Somos seres descontínuos, indivíduos que morrem isoladamente em uma aventura ininteligível, mas temos a nostalgia da continuidade perdida. Suportamos mal a situação que nos sujeita à individualidade do acaso, à individualidade perecível que somos.” O Erotismo, Georges Bataille

A descontinuidade é a condição primeira de todo ser. Cada um de nós nasce só e morre só, estamos trancafiados nos escafandros de nossos organismos vivos. Tentamos nos comunicar, mas nenhuma comunicação poderá suprimir o abismo de existência que nos separa. A comunicação experimenta o sentido de uma mentira, a continuidade de um ser em outro ser é apenas uma vertigem desse abismo. O que está em jogo no ritual que proponho é a dissolução das formas constituídas. Ritual erótico que faz parte do campo da violência e da violação, que tem por fim atingir o ser no mais íntimo, no ponto onde ficamos sem forças. Vestir o corpo com o próprio corpo, onde vestir é o desnudamento. Abrir-se na nudez que se opõe ao estado fechado, estado de comunicação que busca uma continuidade possível do ser além do retratar-se em si mesmo. A vida descontínua não está condenada a desaparecer: ela é somente colocada em questão, ela deve ser perturbada, incomodada ao máximo. A busca pela continuidade não passa de uma vertigem, sentida no tato da carne viva com o tecido morto. O desejo pela continuidade não passa de um jogo erótico, a continuidade estabeleceria definitivamente a morte dos seres descontínuos.




Proponho o ritual da vertigem que se manifestar de forma única em cada ser. Ofereço-te meus cabelos, para que sejam vestidos segundo as regras do teu próprio jogo ritualístico. Disponho-me a levar e buscar meus cabelos até você, permanecendo 24 horas em teu poder. Desejo em troca apenas um relato de tua vertigem de continuidade. Nos últimos quatro anos venho compondo um acervo de restos corporais, presentes que me servem como matéria prima. Inicio agora um segundo acervo, imaterial, impressões de sensibilidades corporais. Os interessados em compor este novo acervo podem entrar em contato pelo e-mail: vistameuscabelos@gmail.com

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

CorpoInstalação



O projeto, em sua 4 a. edição, propõe um encontro de vários artistas que pesquisam o Corpo e sua interface com as artes visuais, a dança, a arquitetura, a música, o vídeo, o teatro, a ciência e as novas tecnologias. A proposta de ocupação do espaço é semelhante à de uma galeria, com diferentes instalações, que ora recebem as performances, ora podem ser visitadas pelo público, mesmo com a ausência do corpo em ação. Com os artistas : Eva Castiel (SP), Daniella de Moura (MG), Eduardo Silva Salvino (SP), Leila Reinert (SP), Elisabete Finger (PR), Tatiana Devos (RJ) Samuel Kavalerski (SP), Tomás Rezende (SP), Nino Cais (SP), Tatiana Dauster (RJ), Flávia Sammarone (SP), – Espelho Convexo Estúdio (SP), André Masseno (RJ), Naiah Mendonça (SP), Michel Groisman (RJ), Letícia Sekito (SP), Juliana Moraes e Anderson Gouvêa (SP). De 25/09 a 18/10. De quarta a sábado, das 13h às 22h/ domingos, das 13h às 20h, aberto ao público. Performances, sextas e sábados, a partir das 20h e domingos, a partir das 18h. Grátis. Galpão.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

um convite à sensibilidade corporal



Cabelos humanos tornam-se trama e urdidura para a troca entre os corpos. Vestimentas capilares, que vão da peça de roupa íntima tecida com os próprios cabelos da artista aos adornos construídos com doações, buscam corpos dispostos a sentir. Vestir cabelos pretende uma espécie de ritual doméstico, requer espaço íntimo e um tempo mítico. O espaço configura-se em função do tempo individual do corpo, tempo das mãos que tecem os cabelos e do corpo que é capilarmente despido. Tempo de vestir, de olhar-se no espelho, de crescer os cabelos e cortar novamente, tempo que materializa a obra através do eu no outro.

vista meus cabelos - Ateliê - Belo Horizonte
12 de setembro de 2009 - a partir das 14 horas